O que é um livro clássico?

Ítalo Calvino


 Ítalo Calvino, falou sobre os clássicos da seguinte forma:

Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer:  "Estou relendo..." e nunca "Estou lendo...".

Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-las pela primeira vez nas melhores condições para apreciá-las.

Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.

Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.

Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.

Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.

Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes).

Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe.

Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.

O “seu” clássico é aquele que não pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a você próprio em relação e talvez em contraste com ele.

Um clássico é um livro que vem antes de outros clássicos; mas quem leu antes os outros e depois lê aquele, reconhece logo o seu lugar na genealogia.

É clássico aquilo que tende a relegar as atualidades à posição de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse barulho de fundo.

É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível.

Quem foi Ítalo| Calvino?

Formado em Letras, iniciou o curso de Agronomia, mas abandonou o curso e foi participar da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra conheceu diversos militantes comunistas, passou a trabalhar no jornal comunista L’Unità e na editora Einaudi.[2] Foi membro do Partido Comunista Italiano até 1956, tendo se desfiliado em 1957. A sua carta de renúncia ficou famosa em 1957. 

Sua primeira obra foi Il sentiero dei nidi di ragno (A trilha dos ninhos de aranha no Brasil e O atalho dos ninhos de aranha em Portugal), publicada em 1947. Uma de suas obras mais conhecidas é Le città invisibili (As cidades invisíveis), de 1972, tendo como personagens Marco Polo e Kublai Khan. 

Calvino morreu de hemorragia cerebral em Siena, Itália, em 19 de setembro de 1985. 

Veja mais em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Italo_Calvino


 

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